segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Retalhos


Marcas, cicatrizes...
Os teus retalhos
Pedaços frios e falhos,
matrizes de uma dor...

Cascalhos cinzas,
cheios de passado...
Cheios de acabado,
em sombra que restou...

George Arribas


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Perdoa


Perdoa essa atrocidade meu menino.
Perdoa, essa absurda estupidez,
perdoa esse infeliz, cruel destino... 
Perdoa meu menino, o que se fez !
 
Perdoa essa perversa inconsequência...
Desalmada ignorância, insensatez,
desumana intolerância e violência.
Perdoa meu menino - só essa vez !
 
Outros mares, outras ondas te levaram,
pra bem longe, onde o amor e o perdão...
Já te acolhe, já te embala, meu menino,
consolando em parte assim, meu coração!
George Arribas

sábado, 30 de maio de 2015

Sombras e Vestígios

E assim vaga meu peito pela noite escura
No tom dessa amargura que procura o cais
Meu pinho então se faz a dedilhar loucura
Vestida de ternura a tua tez não jaz...
 
Minha alma se refaz da natureza impura
Na fria sepultura onde murmura paz
Por Deus onde andarás a destilar candura?
Aos céus minha clausura já não suporta mais !
 
George Arribas
 


domingo, 29 de março de 2015

Ainda

 
Agarrei o teu retrato
duvidei o teu destrato
e abracei minha dor,
e ainda...
 
Derramei o teu extrato
reclamei o teu maltrato
e maltratei meu amor,
e ainda...
 
Ainda conto, como um conto de você
guardando os dias sem querer
e de repente um novo ainda...
 
Declarei o meu recato
maltratei o teu retrato
e duvidei meu amor - ainda...
 
George Arribas

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Eternizando

Paro no tempo que persegue meu segundo
Divago num sonho profundo - congelando meu cenário...
Nos tique taques que sinto, sinto vontade de mundo
Reviro a cor, tiro o fundo desse estranho calendário
Quero meu tempo, quero dançar contra a dança
Quero trançar contra a trança, quero soprar contra o vento...
Quero parar meu momento, quero sentir de verdade
Saudade da minha saudade, vontade do meu pensamento... 
George Arribas