terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Coração

 

Coração corta essa escuridão
 Encontra paz, e onde houver mais eu vou
Véu canção, poeira de ninguém 
que nunca vem e anda bem mais além... 

Fala um pouquinho de ilusão, deixa acontecer
que um dia vai valer...
Segue o caminho da paixão, deixa se perder
que um dia é pra valer...

Corta o chão, canteiros, coração
colhe uma flor, colhe uma canção de amor...
Pela luz, caminha me conduz, a paz que houver
Nos versos que andam nus...

George Arribas

terça-feira, 5 de junho de 2018

E a Neve Cai...


Fria saudade leve e a neve cai...
Arde, queima a verve que me agita
Grita no silêncio dos meus ais,
onde cai a neve, que me fita !

Grita a saudade inerte e a neve cai...
Queima no silêncio que me excita
Agita, fria verve em frios punhais
Onde arde a neve, que me habita !

George Arribas

Demorar...




E lá vou eu rodar,
 qualquer direção...
Um vento aflito, esquisito dá pito no meu coração...
Soprando leve, mas ferve a neve da minha paixão...

 E lá vou eu, vou lá,
Meio a multidão...
Quando ela passa sua graça embaraça a minha visão
Quando ela passa seu corpo abraça, a minha ilusão...

E lá vou eu voltar,
Meio a escuridão
Um tempo aflito, infinito dá grito na minha razão...
Soprando breve, na verve que serve a minha emoção...

Demorar, demorar, eia, eiá !
Demorar, demorar, eia, eiá !

George Arribas

terça-feira, 22 de maio de 2018

Entre Parênteses...


Entre as tuas portas, me lancei...
Entre os teus mistérios, eu me procurei...
Entre as tuas sombras, me arrastei...
Entre a tua sorte, eu me debrucei...

E eu te enxerguei, por te despir, assim demais...
Como um nunca mais, para um nunca mais, 
talvez...

Entre as tuas cordas, te alcancei...
Entre as ruas tortas, eu me torturei...
Entre as tuas chagas, me entranhei...      
Entre tuas paredes, eu me reclusei...

E eu te perdi, por te despir, assim demais...
Para um nunca mais, como um nunca mais, 
talvez...

George Arribas

domingo, 20 de maio de 2018

Barqueando...


Um barco à beira do mar,
eu a olhar lugar comum...
Ondas que dançam à cantar...
Sinfonias de um viver sem fim...

Como assim é sonhar, 
o imenso mundo de si...
Parar na vida e pensar, 
Quem não viu, tanto amor assim...

Pra contar e ver
que a vida são ondas bem além 
dos olhos, bem como nós 
Imensos n'água, não vêem nada,
Não sabem nada...

George Arribas

terça-feira, 15 de maio de 2018

Cantiga pra Raphael




Uma estrela de brilho incandescente... 
E uma crescente certeza em mim, se faz então. 
Não estás longe, nem tão pouco estás ausente, 
distante apenas, pra te tocar com a minha mão...

É tão sublime essa beleza que eu divido,
entre os meus dias e minhas noites em solidão...
É a tua voz que consola o meu gemido,
a tua sombra vive em nós, meu coração!

És todo tempo, esse tempo que eu duvido...
Duvidando uma eternidade que tem fim.
Sempre hás de ser maior, maior que tudo que haja havido...
Criaste um céu, um imenso céu, morando em mim...

George Arribas

Lia


E Lia ria pela estrada nua,
que se lhe abria como caminhada.
E perseguia uma ensandecida lua,
que se movia, como se fosse alada...

E Lia ria como quem fugia,
da primazia de uma sorte errada...
Que lhe valia uma envergonhada rua,
que lhe acolhia, como se fosse amada...

E Lia ria como lhe aprazia,
como quem sorria do que pranteava...
Chorava Lia como lhe cabia,
como bem queria, do que lhe tragava...

E ria Lia como quem urrava,
o que suportava, o que lhe doía...
Como quem amava, Lia não vivia.
Lia só morria, como quem vagava...

George Arribas

Funeral do Tempo


Definha o tempo e ao vendaval se entrega,
trôpega nau navega pelo temporal...
E sem escolha, voa aos mares que renega,
nega o que mais quisera, veste o seu próprio mal

Deita a esperar então, pelo o que não mais espera,
réstia da agonia louca do seu irreal...
Já não lhe resta mais a flor da primavera,
só uma quimera triste, assiste o seu funeral! 

George Arribas

Rumo


Rumo, caminho e rumo,
desassombro e assumo,
a sombra de ninguém...
Rumo, no meu desaprumo
e me desarrumo no caminhar também...

Rumo, sem destino ou prumo,
perseguindo o rumo,
de quem nunca vem...
Rumo, farto e me acostumo,
o fado que perfumo,
o rumo que não tem...

George Arribas

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Meus Telhados


Desventuras coração, estranhos lados, 
que de agruras bates e partes sem bater...
Estranhos ninhos sozinhos, os teus
cercados,
despindo sonhos e pecados do viver...

Desmensuras coração, os desalmados,
das alturas misteriosas do teu ser...
Melhor quiseras à solidão dos teus telhados,
melhor fizeras o que não tinhas que fazer..

George Arribas

Louca Razão


Ah louca razão que abraço e insisto,
repousas emoções cheias de agora...
Lá fora, um coração que não resisto,
cá dentro, um coração como de outrora...

Ah louca razão que laço assisto?
O que instiga em mim tão docemente,
que a natureza fez tão belamente...
É pecado o que sinto ou o que conquisto?

Se em vão desisto, só cabe a mim a dor da hora...
De ser cruel e assim fiel, impunemente...
Se o eternamente é eternamente cheio de agora,
minha alma chora, cheia de agora e eternamente...

George Arribas

Emoções


Doce emoção que então se faz em mim...
Como varrendo meus sentidos e pulsões, 
me refazendo em meus caminhos e canções, 
me decalcando em meus pedaços num sem fim...

E gritam em mim, em fina arte dolorida,
sentimentos e universos que entoam,
universos de emoções que em versos voam...
E encontram à toa, a minh'alma já despida...

George Arribas

A Noite


Assalta-me a beleza de infinita altura,
de infinita paz que apraz o que mais sinto...
E sinto a calma, salva na teimosa alvura,
a desenhar figuras que a mirar pressinto...

Desfaz-se o dia então a recitar finuras,
no salpicar de estrelas, no sombrear das ruas...
Despe-se na imensidão despudorada a lua,
Oh, noite clara impura, insistes em minh' alma escura...
George Arribas

O Quiromante


São tuas linhas tortas, frias, segregadas,
entre correntes fortes nos teus desalinhos...
Torrentes, cortes, profecias desvairadas,
que a segredar recorres a embebedar-te em vinhos...


É fado, é fardo os teus descaminhos,
teus ninhos de nada, urram tua solidão...
Já não percebes mais a dor dos teus espinhos,
o teu destino espelhas e espalhas pelas tuas mãos...

George Arribas

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Retalhos


Marcas, cicatrizes, matizes todas aos retalhos...
Pedaços frios, tão falhos, matrizes frias de uma dor...

Cascalhos às cinzas, cheiros de sós e passado...
Cheios de nós terminado, em sombras tristes deitou...

George Arribas


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Perdoa


Perdoa essa atrocidade meu menino.
Perdoa, essa absurda estupidez,
perdoa esse infeliz, cruel destino... 
Perdoa meu menino, o que se fez !
 
Perdoa essa perversa inconsequência...
Desalmada ignorância, insensatez,
desumana intolerância e violência.
Perdoa meu menino - só essa vez !
 
Outros mares, outras ondas te levaram,
pra bem longe, onde o amor e o perdão...
Já te acolhe, já te embala, meu menino,
consolando em parte assim, meu coração!
George Arribas

sábado, 30 de maio de 2015

Sombras e Vestígios


E assim vaga meu peito pela noite escura
No tom dessa amargura que procura o cais
Meu pinho então se faz a dedilhar loucura
Vestida de ternura a tua tez não jaz...

Minha alma se refaz da natureza impura
Na fria sepultura onde murmura paz
Por Deus onde andarás a destilar candura?
Aos céus minha clausura já não suporta mais !

George Arribas




domingo, 29 de março de 2015

Ainda


Agarrei o teu retrato
duvidei o teu distrato
e abracei minha dor,
e ainda...

Derramei o teu extrato
reclamei o teu maltrato
e maltratei meu amor,
e ainda...

Ainda conto, como um conto de você
guardando os dias sem querer
e de repente um novo ainda...


Ainda conto, como um conto de querer
guardando os dias sem você
e de repente um novo ainda...

Declarei o meu recato
maltratei o teu retrato
e duvidei meu amor
Ainda...

George Arribas

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Eternizando


Paro no tempo que persegue meu segundo
Divago em sonho profundo - congelando meu cenário...
Nos tique taques que sinto, sinto vontade de mundo
Reviro a cor, tiro o fundo desse estranho calendário...

Quero meu tempo, quero dançar contra a dança...
Quero trançar contra a trança, quero soprar contra o vento...
Quero parar meu momento, quero sentir de verdade
Saudade da minha saudade, saudade do meu pensamento... 

George Arribas


domingo, 22 de dezembro de 2013

O Sol






Tão belo pássaro, indômito e glorioso...
Num desafio sereno e desarmado
invoca os deuses no traço majestoso,
descreve a vida num arco caprichado

Que poesia na luz dessa alvorada,
passeia alada, incólume e se adestra?
Se a fantasia esconde a mágica encantada,
de sapiência natura então se infesta.

Pura heresia olvidar que então se encerra,
a travessia que se esconde bem adiante.
Pois se anuncia, onde encontra céu e terra
a poesia pura e casta do horizonte.

E se recolhe taciturna a passarada,
se manisfesta inculta, oculta face que não vê.
E em romaria, abrasando nuvens pasmas
descansa as lavas misteriosas do viver.
George Arribas
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